quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Inimigos Inseparáveis: Que Assim Seja Trinity (1972)


Inimigos Inseparáveis: Que Assim Seja Trinity (Si Puó Fare...Amigo!, Itália, 1972)
Direção: Maurizio Lucidi, Roteiro: Ernesto Gastaldi, Rafael Azcona, Albert Kantoff
Música composta por: Luis Bacalov, Sergio Bardotti
Elenco: Bud Spencer, Jack Palance, Francisco Rabal, Renato Cestiè, Dany Saval, Luciano Catenacci, Roberto Camardiel, Franco Giacobini

O grandalhão Hiran Coburn, promete a um moribundo que irá acompanhar seu pequeno sobrinho, Chip, que acaba de herdar um rancho na cidade de Westland. Infelizmente, Coburn está sendo seguido pelo pistoleiro dono de uma trupe de dançarinas itinerantes, Sonny, que tem vingança em mente, pois Coburn inadvertidamente deflorou a sua irmã, Mary, e Sonny quer que Coburn se case, e faça dela uma mulher honesta antes de matá-lo. As complicações surgem quando fica claro que o corrupto pregador de Westland, Franciscus, quer a propriedade de Chip e os planos de Sonny dão errado quando ele descobre que Mary está grávida.


Bud Spencer, desta vez sem o parceiro das aventuras de "Trinity", interpreta Hiram Coburn, um sujeito bruto mas de bom coração que diz preferir seu cavalo Rufus, a outros humanos. Ele vive se metendo em encrencas, como quase ser enforcado como um ladrão de cavalos, isso porque várias éguas seguem Rufus, mas é salvo por um advogado e seu sobrinho, que o levam para a cadeia para ter um julgamento, e depois um merecido enforcamento. Mas quando uma gangue invade a delegacia para soltar seu companheiro de cela "Big Jim" (Luciano Catenacci), ele aproveita e também escapa. Pra piorar, ele está sendo perseguido por Sonny Bronston (Jack Palance), um cafetão/pistoleiro que quer capturar Coburn por ter deflorando sua irmã, Mary (Dany Saval), por acidente quando ela veio até ele no meio da noite e ele pensou que era a sua prostituta favorita. O plano de Sunny é fazer ele se casar com Mary, depois matar Coburn. Mary será então uma viúva respeitável. Coburn ainda conhece um velho moribundo, e promete  que ele levará seu pequeno sobrinho, Chip Anderson (Renato Cestiè), para um rancho deixado pelo falecido pai do menino. 

Os dois filmes da franquia Trinity, com Terence Hill e Bud Spencer, tiveram grande sucesso de público nos cinemas europeus e americanos, e injetaram uma sobrevida ao subgênero, mas ao mesmo tempo, adiantaram a sua decadência. Isso porque o enorme sucesso do filme de Enzo Barboni, deu inicio a uma verdeira febre, onde todos queriam agora, fazer comédias western pastelão (a maioria medíocres diga-se de passagem), e dessas tentativas surgiram imitações descaradas como por exemplo, "Carambola" (1974), e a sequencia "Carambola, filotto... tutti in buca" (1975), que no Brasil teve o título "Trinity e Carambola - A Dupla Invencível", que incluía o nome do pistoleiro mais vagabundo do oeste, apenas para pegar carona no sucesso da franquia de Barboni.

É difícil afirmar se o diretor Maurizio Lucidi acertou a mão neste western cômico, feito para agradar a toda a família. Como na maioria dos spaghettis de comédia deste período, ninguém morre, mas em compensação, há muitas cenas de luta, e socos com áudio de pancada em balde para todo lado. O personagem de Bud Spencer, Coburn, nem carrega uma arma, preferindo seus punhos cerrados contra os seus inimigos ruins de mira. Maurizio Lucidi preferiu seguir as nefastas regras do western spaghetti,  tornando o filme propenso a exibir uma série de aventuras hilariantes, e uma galeria de personagens desagradáveis e caricatos. Com um excelente elenco de atores, que tem como estrela principal o grandalhão Bud Spencer, que se apresenta sem o parceiro Terence Hill, mas não foge aos clichés do brutamontes bonzinho dos filmes da série Trinity. O filme também mostra um desempenho muito interessante de Jack Palance. Ele é Sonny, um vilão por natureza, sempre ameaçador em suas roupas pretas, trazendo à mente o personagem Jack Wilson, que Palance fez em "Os Brutos Também Amam" (1953). O personagem de Palance é tão caricato que parece uma autoparódia de seus habituais personagens em westerns. Outros destaques vão para a notável direção de arte que traz uma aparência estética que é revisionista por natureza, e a primorosa fotografia do veterano Aldo Tonti, que através de seu enquadramento perfeito e seus movimentos fluidos de câmera, suavizam um filme de aparência  por vezes desagradável.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Spasmo (1974)


Spasmo (Itália, 1974)
Direção: Umberto Lenzi; Roteiro: Umberto Lenzi, Massimo Franciosa, Pino Boller, Luisa Montagnana, Félix Tusell
Música composta por: Ennio Morricone
Elenco: Robert Hoffmann, Suzy Kendall, Ivan Rassimov, Adolfo Lastretti, Franco Silva, Maria Pia Conte, Mario Erpichini, Luigi Antonio Guerra, Monica Monet

Um casal resolve ir até uma praia á noite para namorar, quando em uma parte remota da praia, são interrompidos pela visão do que parece ser uma mulher morta pendurada em uma árvore logo atrás deles. Mais tarde, quando as autoridades chegam constatam que a "mulher morta" é na verdade um manequim, somos apresentados a um novo casal que encontram uma mulher deitada na praia durante uma linda manhã. A mulher é acordada por eles e depois, ela desaparece rapidamente, mas não antes de enfeitiçar o nosso herói e deixar para trás uma garrafa térmica que ele usa para rastreá-la até o rico iate de seu namorado. É uma transição chocante dos eventos da noite anterior, no entanto, esta é a introdução  ao personagem Christian (Robert Hoffmann) e seu mais novo interesse amoroso, Barbara (Suzy Kendall). Isso porque ele simplesmente deixa a outra mulher com quem ele estava para perseguir Barbara.



Feita as devidas apresentações, seguimos adiante, já em um quarto de motel com Barbara, Christian atira e mata um intruso, mas logo depois o corpo desaparece misteriosamente. Este é o catalisador para uma compulsão, que faz com que ele duvide de sua própria sanidade e da integridade de todos ao seu redor. Então a história começa a ficar mais confusa: ficamos sabendo que nosso herói, Christian, é sócio de seu irmão Fritz (Ivan Rassimov), e que há algo estranho no ar. Há  um assassino misterioso, pessoas que desaparecem, manequins torturados e enforcados, flashbacks aleatorios..as pistas são vagas, as respostas difíceis e a investigação é conduzida pelo herói do filme e não por um policial ou jornalista, como de costume. Durante todo o filme, Christian (e o expectador) tenta entender o que está acontecendo enquanto suas circunstâncias continuam a mudar rapidamente de maneiras inexplicáveis.


O cultuado diretor italiano Umberto Lenzi, com "Spasmo", nos oferece um giallo extremamente estilístico e intrigante do começo ao fim, apresentando um personagem que é uma vítima de alucinações e lembranças do passado, mergulhando o espectador em uma expectativa profunda ao longo do filme, com reviravoltas até a sua assustadora conclusão final. No entanto, o aspecto do filme que lida com o aparecimento do belo elenco feminino, não está suficientemente desenvolvido. Além disso, a interpretação por parte de Suzy Kendall (uma especialista do gênero) e Robert Hoffman é morna, apesar da boa química entre os dois, se não fosse a falta de uma tensão sexual mais intensa entre eles, o filme poderia ter cenas mais picantes. Embora relativamente contido em termos de sexo e sangue, evitando de certa forma, os clichês do gênero e acompanhado pela bela trilha sonora de Ennio Morricone, Umberto Lenzi realiza um filme de beleza turva, mas muito interessante.

             

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Poster: Poucos Dólares para Django (Pochi dollari per Django, Italia, 1966) León Klimovsky


domingo, 2 de dezembro de 2018

Mansão da Loucura Assassina (1974)


Mansão da Loucura Assassina (House Of Whipcord, Uk, 1974)
Direção: Pete Walker; Roteiro: David McGillivray
Música composta por: Stanley Myers
Elenco: Barbara Markham, Patrick Barr, Ray Brooks, Robert Tayman, Dorothy Gordon, Penny Irving, Ann Michelle, Sheila Keith, Jane Hayward, Ivor Salter  

Em algum lugar remoto do interior da Inglaterra, um ex-juiz e um grupo de ex-agentes penitenciários, administram sua própria prisão para mulheres jovens. Aqui eles distribuem sua própria forma de justiça e asseguram que as meninas nunca retornem aos seus velhos hábitos.


Em uma festa na frívola Londres dos anos setenta, conhecemos a jovem modelo francesa recém-chegada a capital inglesa, Ann-Marie de Verney (Penny Irving). Um fotógrafo amigo dela trouxe consigo uma uma foto que ele tirou em sua última sessão em algum parque londrino, mostrando Anne-Marie, seminua, apenas com uma capa aberta, sendo levada pela polícia, enquanto um grande número de espectadores de meia-idade observa. Anne-Marie e o fotógrafo foram multados em uma pequena quantia pelo crime de obscenidade no tribunal que julgou o caso, e até onde sabiam, nada além disso, certo? Errado. Os problemas da nossa heroína estão apenas começando. Na festa, Anne-Marie se encanta por um homem misterioso (interpretado por Robert Tayman), chamado Mark Desade. Mark E. Desade, e sim, o nome é pronunciado exatamente como Marquês de Sade. 


De qualquer forma, Anne-Marie e Mark fazem um jantar, para mais tarde, após outro encontro ela aceitar conhecer seus pais em sua casa de campo no interior da Inglaterra. Afinal, porque não? ela o conhece há dois dias, ele é um tipo do qual você pode confiar com os olhos fechados. Porém, quando ela os abre novamente, a francesa descobre que a cama e o café da manhã agradável no bucólico interior inglês não é nada como ela pensou que seria. É uma armadilha: Na casa de Desade (nome definitivamente alusivo), funciona um tribunal ilegal, onde o terrível destino que a espera é o mesmo de outras garotas bonitas e desinibidas como ela. A mãe de Mark, a Sra. Wakehurst (Barbara Markham) é uma ex-agente penitenciária que foi expulsa por ter abusado de seu poder, atua em aliança com seu marido Bayley (Patrick Barr), um juiz cego aposentado, e juntos reivindicam o direito de julgar mulheres jovens que de alguma forma violaram a lei e que foram condenados a sentenças muito brandas, de acordo com o pensamento conservador deles. Na casa, transformada em prisão, a mulher age como uma oficial de campo de concentração nazista, e as meninas detidas são submetidas a rigorosa disciplina e punidas pelo crime de obscenidade, sem o conhecimento da justiça, claro. A modelo francesa se vê encarcerada com a culpa de "ter colocado um roupão, despida por baixo, por um pequeno ganho pecuniário". 


Conhecido no Brasil pelo sugestivo título "Mansão da Loucura Assassina", o filme do diretor inglês Pete Walker, flui com uma tensão considerável, apoiado pelo bom  roteiro de David McGillivray (habitual colaborador de Walker em outros filmes como "Loucura Sangrenta" de 1974 e "Demência Sinistra" de 1976), desde a chegada da garota na casa de Desade, quando o filme ganha em crescendo e suspense. As coisas ficam muito mais interessantes com a introdução da personagem chave no filme, a diabólica Sra. Margaret Wakehurst, representada de maneira brilhante pela atriz Barbara Markham, com trejeitos teatrais e uma canastrice devidamente estudada, ela é como se fosse uma Vincent Price de saias. Mrs. Margaret Wakehurst representa o moralismo de costumes da sociedade inglesa pós-flower power, que tanto incomodavam a juventude da contracultura na década anterior. Ela é uma mulher reprimida, travando uma batalha pessoal contra o que ela considera a imoralidade dos costumes de suas prisioneiras. Destaques ainda para a dupla de carcereiras Bates e Walker (Sheila Keith e Dorothy Gordon, atrizes que também aparecem em outros filmes do diretor), que são ainda mais severas e ameaçadoras que Mrs.. Wakehurst. Em suma, Pete Walker com seu filme WIP (Woman In Prison) utiliza de muitas metáforas para atacar o conservadorismo inglês da época, e aponta para a análise psicológica dos personagens ao invés de investir em cenas pesadas de tortura e nudismo explicito, como era de costume nos filmes deste subgênero. Aqui Walker tece longos diálogos entre Wakehurst e seu marido, o velho juiz Bailey que - seguindo outra grande metáfora - é cego.

Trailer:https://www.youtube.com/watch?v=pp1cjeiaNDM


sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Posters/press photos: Lobisomens sobre Rodas (1971)



Lobisomens sobre Rodas (Werewolves on Wheels, EUA, 1971)
Direção: Michel Levesque; Roteiro: David M. Kaufman
Música composta por: Don Gere
Produção: Paul Lewis
Elenco Principal: Billy Gray, Steve Oliver (como Stephen Oliver), Barry McGuire, Severn Darden, Anna Lynn Brown, Donna Anders (como D.J. Anderson), Owen Orr, Gene Shane (como Duece Berry)
Sinopse: Uma gangue de motoqueiros visita um mosteiro onde eles encontram monges vestidos de preto engajados em adorar a Satã. Quando os monges tentam persuadir uma das integrantes da gangue, Helen (Donna Anders), a se tornar um sacrifício, os motociclistas destroem o mosteiro e partem. Os monges, porém, riem por último, pois Helen, como resultado dos rituais satânicos, agora está possuída e à noite transforma-se em lobisomem, com resultados terríveis para a gangue de motoqueiros.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Poster: Eyeball (Gatti Rossi in un Labirinto di Vetro, Italia, 1975) Umberto Lenzi


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Gringo, Reze para Morrer (1968)

Gringo, Reze para Morrer (Straniero... fatti il segno della croce!, Italia, 1968)
Direção e roteiro: Demofilo Fidani
Elenco: Charles Southwood, Jeff Cameron, Cristina Penz, Massimo Righi, Ettore Manni, Calisto Calisti, Mel Gaines, Lino Coletta, Joe D'Amato, Fabio Testi, Dino Strano, Simonetta Vitelli

Dois irmãos, juntamente com uma dúzia de malfeitores, com a lei do terror, roubam dinheiro da população de uma pequena cidade no oeste. Quando um caçador de recompensa chega na aldeia, acompanhado por um homem coxo à procura de vingança, sérios problemas começam a passar a terrível gangue.

Dois irmãos que lideram um grupo de foras-da-lei, tocam o terror em uma pequena cidade do Oeste. Os habitantes então, decidem confiar em um caçador de recompensas (interpretado pelo ator americano Charles Southwood) que imediatamente começa a trabalhar para pacificar a cidade. Carson Donovan (Calisto Calisti) impõe sua lei com extremo rigor e seu irmão James (Mel Gaines) é responsável por coletar a propina imposta às vítimas. Mas eis que chega um indivíduo misterioso na cidade que ninguém sabe pelo nome, muito menos a que veio. Apenas o "coxo" um pobre desafortunado do lugar ridicularizado e espancado por todos descobre qual é o seu trabalho e o propósito de sua chegada. Eles não sabem que o estranho misterioso é um "caçador de recompensas", que espera ficar rico com as quantias pedidas pelas cabeças dos membros do bando dos Donovan. Mesmo Blake Logan (Ettore Manni), o coxo como todos o chamam, tem uma dívida aberta com os irmãos Donovan que mataram seu filho e com o caçador de recompensas vai limpar a cidade, não sem dificuldade, mas abusando de habilidade com uso mortal de suas muletas que sabiamente transformou em armas letais.


Um dos muitos westerns feitos com mil pseudônimos (aqui com o habitual Miles Deem) e a um custo muito baixo por Demofilo Fidani, "Gringo, Reze para Morrer" é o primeiro filme de Demofilo Fidani, embora há a suspeita que foi o seu segundo desde "Reze a Deus... e Cave Sua Sepultura" de 1968, que teria sido feito por ele e não por Eduardo Mulargia. Fidani geralmente é  associado com o cinema de qualidade duvidosa, lembrado sempre pela falta de uma sequência narrativa, a estranheza da câmara instável, as interpretações canastronas, etc. No entanto, assim como a grande maioria de seus filmes, este aqui é satisfatório e quase impecável. Talvez o trabalho com a câmera seja o que o filme tem de melhor. A função inicialmente seria feita pelo reconhecido Franco Villa (que também trabalhou em Atire Para Viver e Reze pelos mortos), mas ele acabou indo para outra produção, e foi um jovem Joe D'Amato em inicio de carreira que ficou com o trabalho. Curiosamente, D'Amato faz uma pequena ponta na sequência do filme. O filme lista um elenco de luxo: Fabio Testi, Dino Strano, Jeff Cameron, Simonetta Vitelli (filha do diretor) etc. Todas as pessoas que se tornariam uma presença regular nas produções de Fidani. 


Especialista em westerns spaghetti de baixíssimo orçamento, Fidani tem o grande mérito de quase sempre conseguir produzir obras divertidas e atraentes, tanto na sua atmosfera, quanto na fotografia, e talvez, isso seja pela sua experiência como designer e arquiteto, o que o tornava capaz de escolher os locais e cenários certos para obter o efeito desejado. Neste sentido, o filme mostra como Fidani dominava a arte de fazer bons filmes, especialmente quando os recursos financeiros disponíveis eram limitados, porque é nesses casos que o talento, inventividade e o gênio de um diretor deve surgir.

Trailer:https://www.youtube.com/watch?v=UJAnajihkoM

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